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 HOME CONVERGÊNCIA DIGITAL07/04/2003

Uma revolução eletrônica no mercado de varejo

Eduardo Prado - Smart Convergence

Recentemente, a Benetton resolveu que utilizará em breve "etiquetas inteligentes" em suas 5.000 lojas mundiais para rastreamento das suas roupas. Estas etiquetas vão representar uma grande revolução no mercado varejista depois do advento do Código de Barras (ver história) no final dos anos 60. Outro negócio de roupas de luxo - a Prada - já está utilizando estas etiquetas há algum tempo.

Estas etiquetas mudarão a forma das companhias distribuirem e venderem o que produzem.

Várias corporações no mundo estão interessadas nesta tecnologia. Uma grande cadeia varejista na Inglaterra chamada Tesco iniciou a instalação de gondolas (smart shelves) com esta tecnologia em Cambridge. Brevemente a Wal-Mart estará controlando barbeadores em um loja de Boston que começará a deixar o pessoal da loja informado quando elas (as gondolas) suspeitam de um "ladrão".

A razão desta nova e grande excitação no mercado varejista é uma nova versão de um superchip de uma velha tecnologia de rastreamento denominada RFID (radio frequency identification). Os sistemas de RFID (ver periódico) são constituídos de leitores e "etiquetas inteligentes" (microchips conectados a antenas). Quando a etiqueta está posicionada próxima de um leitor, ela transmite a informação contida no seu chip. Como os chips não contém nenhuma fonte de potência, eles só podem transmitir as informações neles contidas no máximo a uma distância de 70 cm. Os receptores podem ser de diversos tipos: uma unidade handheld, um monitor (com antena) na prateleira da loja de varejo entre outros. O chip de RFID pode ser programado para armazenar uma determinada quantidade de informação no mesmo.

Nos últimos quatro anos o preço destas etiquetas "mergulhou" US$ 2 para 20 centavos. Nos próximos dois ou três anos estes preços cairão para US$ 0,05 ou menos. As etiquetas de RFID já são fabricadas em milhões de unidades para controle de animais (pets), componentes dos carros nas fábricas e, malas nos aeroportos. No último mês, a Gillette anunciou que fez recentemente um pedido para fabricação de meio bilhão de "etiquetas inteligentes" sinalizando uma forte tendência do início da utilização destas etiquetas no mercado varejista. Caso estas etiquetas tenham sucesso, elas serão produzidas em trilhões de unidades e com certeza substituirão o Código de Barras em bens de consumo como os que os gigantes como Procter & Gamble e Unilever produzem.

A inspiração por trás destas novas "etiquetas inteligentes" é uma parceria entre pesquisadores e empresas chamada Auto-ID Centre, localizada em Cambridge, Massachusetts. A Auto-ID Centre foi fundada em 1999 sendo controlada por 87 empresas varejistas incluindo a Gillette e a Procter & Gamble. Para ilsutrar o interesse do mercado varejista nestas etiquetas a Gillette encomendou no início deste ano 500 milhões destes dispositivos do fabricante Alien Technology. Um outro fabricante da etiqueta RFID é a empresa Matrics.

Esta tecnologia - que tem sido motivo de "fofoca tecnológica" em diversas corporações no varejo - tem motivado diferentes interesses nestas empresas. A redede varejista inglesa Tesco está programada para alertar a segurança da loja quando diversos pacotes da mercadoria Gillette Mach3 são retirados da prateleira (cuidado ladrão!), a Procter & Gamble a utiliza para verificar se o produto Shampoo Pantene não chega a uma loja da cadeia Wal-Mart (o comainhão transportador sera euipado com monitores que ficam rastreando períodicamente a mercadoria e registrado sua saída do veículo), a Wal-Mart tem interesse em monitorar todas as suas mercadorias incluindo aquelas que despertam interesse em "furto".

Adicionalmente, esta tecnologia pode estar ajudando as corporações a melhorarem a cadeia de fornecimento (supply chain) possibilitando o encolhimento dos estoques. Consultores da IBM sugerem que a utilização destas etiquetas podem possibilitar o "encolhimento" dos estoques de 5 a 25%. A IBM acredita que as corporações que estão fazendo seus projetos pilotos atualmente com esta tecnologia, estarão utlizando a mesmas no seu dia-a-dia a partir de 2004. Então, "pesos-pesados" como Wal-Mart, Tesco, Gillete, Procter & Gamble entre outros estarão adquirindo grandes quantidades desta tecnologia e ajudando tanto a difusão deste novo conceito varejista como também a redução do custo unitário da mesma.

Finalmente, por quê esta tecnologia é importante? Acreditamos que além da mesma otimizar os prazos da cadeia de fornecimento ela reduzirá de diversas formas as perdas da indútsria de varejo. Segundo um estudo da Universidade da Flórida, o impacto monetário das perdas no varejo é gigantesco totalizando 31,3 BUS$ nos EUA em 2002. O "encolhimento" do estoque de mercadorias nos pontos de distribuição - nomenclatura utilizada no mercado varejista - representa um terço (30%) que é devido a furto em lojas. Aproximadamente 50% é representado por furtos de empregados, 5% é representado por roubo na entrega da mercadoria (vendedor) e 15% por erros diversos (mau posicionamento de produto, erros de registros, como alguns exemplos).

Enfim, esperemos por esta nova revolução no mercado varejista brasileiro.



Eduardo Prado é Consultor Independente de Novos Negócios. Engenheiro Eletrônico pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Trabalhou na DBA Engenharia de Sistemas, Proceda Systemhouse, Promon Engenharia, Promon Eletrônica e na COPPE/UFRJ. Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações - a Cleartech em Campinas - que hoje é uma empresa da DBA, EDS do Brasil e do CPqD.
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