
Por que a Wi-Fi prejudicará a
receita das operadoras móveis?
• Eduardo Prado - Smart Convergence
Atualmente o mundo assiste a um movimento frenético em relação a tecnologia Wi-Fi. Existem vários players: desde importantes fabricantes e prestadores de serviços (Intel, IBM e HP), às operadoras de telefonia celular (T-Mobile, Swisscom e Telia); telefonia fixa (Verizon Communications, NTT Communications e Singapore Telecom - Outdoor Wireless Surf e Home Wireless Surf); fortes WISPs (Boingo e Wayport) e até empresas desconhecidas, como a inglesa Leisure Link. Esta possui um plano ambicioso (de 3 mil a 30 mil caça-níqueis) no segmento de entretenimento com a tecnologia Wi-Fi no Reino Unido.
No Brasil já temos os primeiros "desbravadores" no setor de Wi-Fi, a saber: a operadora Oi (no projeto "Cidade sem Fio" lançado recentemente em parceria com a Rede Accor, no Shopping Città América, no Rio de Janeiro) e a Brasil Telecom (que lançou há pouco tempo o pacote de serviços Smart Wi Fi, voltado para companhias que precisam de mobilidade e praticidade).
Em nossa opinião, cabe dizer que a tecnologia de WLAN trará grandes benefícios para as corporações como também para a sociedade em geral.
Ao considerarmos este novo cenário tecnológico e as operadoras de telefonia, podemos visualizar algumas mudanças nas "regras do jogo" dos serviços de valor adicionado. A operadora de telefonia fixa (com last mile ou não) será a "grande vencedora" neste novo panorama, ao passo que, a operadora de telefonia celular será a "grande perdedora". A fixa terá agora a vantagem de poder ofertar novos serviços no seu last mile (o que antes do advento do Wi-Fi não podia fazê-lo a custos competitivos). A celular perderá tráfego ("por bem ou por mal"), pois irá, pelo menos, dividir novos serviços de valor adicionado com novos players e com isso reduzir sua receita média (ARPU = Average Revenue per Subscriber). A situação poderá ser pior caso as fixas utilizem sua "inteligência" e se dirijam "agressivamente" ao mercado, oferecendo pacotes de serviços convenientes para o usuário (principalmente o corporativo).
Segundo o weblog Always On na matéria Mobile Operators Pursue Alternative to Troubled 2.5G Data Services a geração 2,5G não tem sido um "nirvana" como as operadoras de telefonia celular pensavam que fosse. No Brasil, temos na 2,5G, a Oi e a TIM Brasil que usam a tecnologia GSM/GPRS (56 Kbps) e a Vivo (Joint Venture da TELESP Celular com a Telefonica Celular) com a CDMA-1xRtt (144 Kbps). As celulares têm subestimado os "anseios" dos consumidores e do mercado, que se recusam a pagar por serviços caros de 2,5G. Até recentemente, as celulares, segundo o Always On, não tinham encaminhado de forma séria este problema.
Nos EUA e na Europa esta situação tem se agravado ainda mais com (1) a chegada dos dispositivos handhelds com multi-tecnologia; (2) o aumento da instalação de grandes redes com tecnologia Wi-Fi (Cometa e Toshiba) e, finalmente, (3) a chegada de uma tecnologia bem melhorada de VoIP (Voice over Internet Protocol). Em termos de handleds de multi-tecnologia temos Toshiba Pocket PC e740 e HP iPAQ h5450 [a PDF File] completamente integrados com o padrão IEEE 802.11b; Sony Clié NZ90 e Sharp Zaurus SL-5600 que têm suporte para cartões wireless e, o revolucionário chip W.A.N.D.A. (Wireless Any Networked Digital Assistant) da Texas Instrument, recém lançado, que suporta as tecnologias GPRS, Wi-Fi e Bluetooth. Isto tudo sem falar na família Centrino, da Intel, que vai revolucionar o mercado de notebooks. Com o chip Centrino, o notebook já é 802.11b enable. Estes dispositivos serão a vedete das conexões móveis em futuro próximo.
Estas novas tecnologias vão erodir as receitas de voz e dados das celulares.
Já a Business Week, na matéria Cellular Carriers Under Siege contida no Special Report (The Squeeze on Wireless) sobre o mercado de telefonia celular dos EUA, afirma que as empresas americanas deste ramo (Verizon Wireless, Cingular, AT&T Wireless, Sprint PCS, Nextel e T-Mobile) estão cercadas. As operadoras concluíram que estão cercadas em todos os seus mercados de transmissão de dados a chamadas de voz. Os rivais destas empresas vão desde provedores de redes Wi-Fi (WISPs) e, radio broadcasters a Internet Service Providers (ISPs).
O pior ainda não chegou! Virá em 2004, em conseqüência da "formatação" - em 2003 - da oferta de Wi-Fi. Com o número de hotspots chegando à casa dos milhares, os mesmos vão sendo espalhados por todo EUA. Estes hotspots permitirão qualquer usuário de Wi-Fi acessar a internet à velocidade de 11 Mbps (802.11b), a uma distância de até 700 metros (300 pés). Algo que poderá ser feito através de um notebook ou dispoditivo handheld, com cartão wireless comparado aos 56 Kbps do GPRS. A velocidade de transmissão de dados é de, no mínimo, (quase) 200 vezes mais rápida!
Adicionalmente, quando o usuário entender que para "baixar" seus e-mails na internet (com mobilidade), através da tecnologia Wi-Fi, irá custar de 1/5 a 1/15 mais barato do que na tecnologia GPRS ou CDMA-1xRtt, ele NUNCA MAIS usará a conexão de dados do seu aparelho celular para tal atividade (estimativa da i2 Partners de Nova York). A rejeição, a gastar mais (e que é intrínseca a todo ser humano!), pode piorar em função da forma como o serviço de dados em telefonia celular é cobrado do cliente, em comparação à conexão Wi-Fi. Por exemplo, em Wi-Fi o consumidor sempre sabe, a priori, quanto pagará pelo serviço. Normalmente há uma taxa fixa (flat rate) por período (hora, dia ou mês), na forma de pré-pago ou pós-pago. No caso do GPRS ou CDMA-1xRtt o usuário poderá pagar - dependendo da operadora -proporcionalmente por kilobytes transmitidos. A princípio, ele não tem condições de saber quanto custa baixar o download de uma página da internet. Conseqüentemente não terá conhecimento, no caso de pós-pago, de quanto desembolsará. É um "vôo cego" e ninguém gosta deste tipo coisa.
E você o que fará? Tire suas próprias conclusões!


• Eduardo Prado é Consultor Independente de Novos Negócios. Engenheiro Eletrônico pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Trabalhou na DBA Engenharia de Sistemas, Proceda Systemhouse, Promon Engenharia, Promon Eletrônica e na COPPE/UFRJ. Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações - a Cleartech em Campinas - que hoje é uma empresa da DBA, EDS do Brasil e do CPqD.
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