
O "Dia Seguinte" do Wi-Fi
• Eduardo Prado - Smart Convergence
Não consigo imaginar o que o mundo nos disponibilizará em termos de tecnologia wireless e IP (Internet Protocol) nos próximos dez anos. Com certeza, esta minha limitação se refletirá em uma boa oferta de produtos nestes segmentos para as corporações e para toda a comunidade.
No dia 21 de abril do corrente, no Caderno de Informática do Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) vimos com satisfação uma reportagem sobre o WiMax (nome comercial dado ao padrão IEEE 802.16) da mesma forma que o mercado denomina Wi-Fi (também Wireless LAN = WLAN) ao padrão IEEE 802.11. O WiMAX é também conhecido como WMAN (Wireless Metropolitan Area Network).
Do que estamos falando? Apenas do seguinte: no Wi-Fi a taxa de transmissão de dados é de até 11 Mbps com no máximo 100 metros de raio de cobertura. No WiMax a taxa de transmissão é de 70 Mbps e com cobertura de 50 Kms (sic!).
É isto mesmo que você entendeu: um usuário poderá estar a 50 Kms de uma antena wireless de WiMax e acessar a Internet com seu notebook a uma velocidade 480 vezes mais rápida que os 144 Kbps do serviço CDMA-1xRtt para conexão rápida de dados da Vivo - recém criada Joint Venture da TELESPCelular e Telefonica Celular.
Não falamos nem da velocidade nominal do GPRS da Oi e da TIM que é de 56 Kbps comparada ao WiMax. Em termos de transmissão de dados não resta dúvida da "brutal" vantagem de velocidade de transmissão, mas fica uma pergunta no ar: Com a evolução da tecnologia de VoIP (Voice over Internet Protocol); a conseqüente utilização de VoIP em WLAN (que estará disponível em curto prazo) e a cobertura do WiMax de até 50 Kms, essa tecnologia não poderia prejudicar o negócio da operadoras de telefonia celular?
Sim, prejudicará. Em dados com certeza. Em voz dependerá da evolução tecnológica do VoIP comercial, de fato. A mesma assertiva foi feita por um repórter do JB: "Isto pode ser uma boa notícia para quem deseja ter acesso à internet sem fio em seu notebook, e má notícia para as operadoras de telecomunicações que pagaram caro para ter acesso exclusivo a faixas do espectro eletromagnético. Mas ainda é muito cedo para dizer se a tecnologia vai vingar".
Em nossa opinião a tecnologia irá desenvolver - como também o Wi-Fi - e de forma desregulamentada, pois existe uma tendência mundial dos organismos reguladores de telecomunicações de franquearem o acesso livre a estas faixas de freqüência menos "favorecidas". Não acreditamos que a Anatel atue na "contramão"da história. Para confirmar o que imaginamos - e estamos dizendo - a Business Week de 28 de abril do corrente, em reportagem de capa com o título Wi-Fi Means Business afirma que grandes corporações como a GM, UPS, CareGroup, Connexion (da Boeing), McDonald's, Marriott entre outros já se renderam ao Wi-Fi.
Apesar do exposto, isso não é motivo de preocupação em curto prazo, pois os produtos que utilizarão o padrão 802.16 não estarão disponíveis até a segunda metade de 2004.
Em torno do WiMax Forum houve adesão imediata de players como Airspan Networks, Proxim, Alvarion, Aperto Networks, Wi-LAN, Intel, Nokia, OFDM Forum, Ensemble Communications, and Fujitsu Microelectronics America. Neste movimento merece destaque o empenho da Intel e da Proxim que vão alavancar o WMAN como um viável competidor das outras alternativas de conexão de Internet na última milha.
O WMAN 802.16 que foi inicialmente aprovado pelo IEEE proporciona um alcance de até 50 Kms. Ele possui um esquema de modulação de portadora única que opera entre numa faixa de radio frequency de 10 e 66 MHz e requer visada direta das torres para a conexão funcionar. A nova extensão 802.16a que foi ratificada em janeiro deste ano utiliza uma faixa de freqüência menor de 2 a 11 GHz e não precisa de visada direta para funcionar.
A função básica de Acesso Wireless em Banda Larga Fixa (Fixed Broadband Wireless Access) como é o caso do WiMAX é proporcionar o acesso a rede para prédios. Em uma residência ou empresa pequena o WiMAX compete com as redes de cabo ou banda larga (DSL). Em um prédio comercial médio, o WiMAX pode suportar conexões de transmissão de dados de alta velocidade que estariam disponíveis apenas em fibras óticas. Apesar da ampla disseminação de fibra ótica em backbones de rede, ela permanece rara para acesso de rede, devido aos altos custos de instalação.
O IEEE 802.16 suporta a topologia de rede ponto-multiponto na qual cada estação base, normalmente conectada a rede pública, se comunica com centenas de estações estacionárias de assinante, que estão normalmente instaladas no teto dos prédios. Para informações adicionais sonre o WiMAX, veja as referências IEEE 802.16 marks broadband wireless access maturation, The IEEE 802.16 Working Group on Broadband Wireless Access Standards e IEEE 802.16 for broadband wireless.


• Eduardo Prado é Consultor Independente de Novos Negócios. Engenheiro Eletrônico pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Trabalhou na DBA Engenharia de Sistemas, Proceda Systemhouse, Promon Engenharia, Promon Eletrônica e na COPPE/UFRJ. Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações - a Cleartech em Campinas - que hoje é uma empresa da DBA, EDS do Brasil e do CPqD.
O autor também mantém um blog pessoal em www.smartconvergence.blogger.com.br
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