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 HOME CONVERGÊNCIA DIGITAL23/06/2003

Novas oportunidades
da tecnologia Wireless

Eduardo Prado - Smart Convergence

Recentes notícias estão "dando sinais" de que a tecnologia wireless terá um papel importante em novos nichos de negócios em futuro próximo, a saber:

[a] A gigante cadeia de varejo chamada Wal-Mart sinalizou para seus maiores 100 fornecedores que exigirá a partir de 1 de janeiro de 2005 a utilização das - já famosas - "etiquetas inteligentes" chamadas RFID (radio frequency identification). Só isso significará uma utilização de oito bilhões dessas etiquetas em um ano (belo número!) naquela corporação. Por que a razão do futuro sucesso de RFID? Apenas duas e bem simples: redução do preço unitário de cada etiqueta e a outra é a grande necessidade de redução do volume de furtos no mercado varejista que só nos EUA representa 30 BUS$ por ano. O RFID será a nova revolução neste nicho de mercado desde o advento do Código de Barras. Veja matéria Uma revolução eletrônica no mercado de varejo aqui, numa edição anterior desta coluna, sobre a tecnologia RFID;

[b] O presidente George W. Bush solicitou no início de junho do corrente a criação de uma força tarefa com foco no espectro de radiofreqüência nos EUA para melhorar o gerenciamento do mesmo e como também seus procedimentos. Essa decisão é conseqüência do recente sucesso da tecnologia Wi-Fi no mundo. A iniciativa vai ser liderada pela Secretária de Comércio Americana;

[c] Em recente white paper da FCC (Federal Communications Commission), a ANATEL americana, foi realizado um estudo bastante detalhado das origens dos dispositivos wireless em freqüência não licenciada (unlicensed); da análise da regulamentação vigente; avaliação do estado da arte tecnológico, e apresentada uma visão geral do mercado. Veja o relatório A Joint OSP-OET White Paper on Unlicensed Devices and Their Regulatory Issues [arquivo Doc].

Por quê tudo isso é importante? Por que a tecnologia wireless estará associada a vários nichos de negócio (novos como também a evolução dos já existentes), a saber: "pílulas com câmera", aparelhos telefônicos, provedores de acesso a internet móvel, radar para checar as freeways, sistemas de ignição sem chave, entre outros.

O relatório da FCC, acima, mostra que 80% das residências já possuem um aparelho telefônico sem fio e 41% têm controle automático nas portas das garagens.

Todos esses dispositivos utilizam tecnologias wireless operando em freqüências não licenciadas. Tais dispositivos utilizam parte de "ondas" do espectro não sujeitas as mesmas regulamentações que a indústria de telefonia celular, transmissores de televisão, serviços de satélites e, os próprios serviços do governo.

As empresas que fazem uso das bandas de freqüência não licenciadas nunca tiveram que pagar nada para utilizar o espectro. Em contrapartida, as operadoras de telefonia celular desembolsaram milhões em leilões para fazerem uso exclusivo de parte do espectro.

Nos EUA vários críticos têm afirmado que a gestão dessas bandas pelo FCC tem sido bastante ineficiente e a Comissão que preparou este relatório atual está fazendo uma nova tentativa de melhorar os procedimentos atuais.

Embora o relatório destaque que o crescimento financeiro das bandas de wireless com frequência não licenciadas venha da popularidade alcançada recentemente pelo Wi-Fi, ele explora outras tecnologias sem fio, suas aplicações e seus significados. Sem sombra de dúvida, uma grande leitura!!!

Todo interesse nessas bandas vem do tamanho das oportunidades de negócios que estão por trás dessas freqüências. Sem dúvida, além de delinear toda história de tais freqüências, o white paper mostra que teremos números muitos interessantes para oportunidades comerciais, a saber: BUS$ 1,65 para o mercado de telefones sem fio, BUS$ 2,3 para os dispositivos de redes sem fio e BUS$ 1,2 para as etiquetas RFID (radio frequency identification) utilizadas para rastrear produtos, veículos e animais.

A mais recente novidade do mundo wireless é a pílula M2A. Os médicos estão utilizando essa nova "engenhoca" para diagnosticar problemas intestinais nos pacientes (sic!). O paciente engole uma cápsula contendo uma super "mini-câmera". Um pequeno transmissor dentro da cápsula envia imagens que são carregadas em um computador que efetua a análise e o diagnóstico. Veja refrências sobre a M2A: The Enema Strikes Back: Hollywood Technology Takes it Up... e Refêrencias do Google. Essa inovação é uma daquelas que os autores do relatório utilizam para alavancar uma maior necessidade de espectro de bandas de freqüência não licenciadas e, mostrar que existe um completo mundo "não licenciado" além do Wi-Fi famoso pela sua recente "coqueluche" de sucesso.

Segundo alguns, embora só se fale de Wi-Fi em todo lugar, existe muita novidade do mundo wireless vindo à tona em prazo curto, talvez mais interessante que a tecnologia de WLAN. Esperemos! Enquanto isso, veja mais sobre o assunto em Open Spectrum: A Path to Ubiquitous Connectivity.

E a nossa ANATEL o que está fazendo nesta área de radiofreqüência? Talvez também seja um bom momento para um governo nacionalista (veja The Brazilian Public Sector to Choose Free Software) investir mais em pesquisa e desenvolvimento, não? Uma coisa é fato: tentamos procurar informações sobre as freqüências não licenciadas de WLAN (a saber IEEE 802.11b = "2,4 a 2,4835 GHz" em DSSS, IEEE 802.11a = "5,15 a 5,35 GHZ" e "5,725 a 5,825 GHZ" em OFDM e IEEE 802.11g = "2,4 a 2,4835 GHz" em DSSS e OFDM) e nos perdemos na "panacéia" do site desta instituição. Caso alguém possa ajudar-me, agradeço. Utilize o e-mail da coluna.

Uma boa - e recente - leitura sobre PWLAN

Veja Public WLAN as an utility no periódico de investidores The Chilli.



Eduardo Prado é Consultor de Novos Negócios & Tecnologia. Engenheiro Eletrônico pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Trabalhou na DBA Engenharia de Sistemas, Proceda Systemhouse, Promon Engenharia, Promon Eletrônica e na COPPE/UFRJ. Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações - a Cleartech em Campinas - que hoje é uma empresa da DBA, EDS do Brasil e do CPqD.
O autor também mantém um blog pessoal em www.smartconvergence.blogger.com.br
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