
O Wireless Personal Area Network (WPAN)
• Eduardo Prado - Smart Convergence
No artigo Novas oportunidades da tecnologia Wireless, desta coluna, destacamos o interesse do mundo em novos serviços que utilizam a tecnologia wireless (sem fio) como elemento de conveniência e, destacamos, o recente survey - A Joint OSP-OET White Paper on Unlicensed Devices and Their Regulatory Issues [arquivo Doc] - do FCC (Federal Communications Commission) americano, mostrando seu interesse pelo assunto.
De acordo com o instituto de análise da indústria Instat/MDR, o mercado de rede residencial (home networking) crescerá para 5,3 BUS$ em 2007. Dentro desse mercado, as redes multimídia sem fio nas residências serão responsáveis por aproximadamente 49% desse valor, perfazendo um total de 2,6 BUS$.
A respeito do quê pretendemos falar? Das redes WPAN (Wireless Personal Área Network) cujo IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) está definindo o padrão 802.15 (e suas variações) para melhor caracterizá-las.
Essas WPANs endereçam redes sem fio para dispositivos portáteis ou móveis tais como PCs, PDAs (Personal Digital Assistant), periféricos, fones celulares, pagers e eletrodomésticos. O padrão IEEE 802.15 define como esses dispositivos vão comunicar-se ou como eles interagirão uns com os outros.
Dentro da família do 802.15 do IEEE nós temos os seguintes "irmãos": o 802.15.1 que é o famoso Bluetooth (atualmente muito utilizado em dispositivos portáteis e móveis - veja recém-lançamento de PDA da Sony com Bluetooth, o Clie PEG-UX50), o 802.15.3 que é o WPAN de alta taxa de transmissão de dados também conhecido com UWB (Ultrawideband) liberado no ano passado para utilização comercial pelo Pentágono e o 802.15.4 que é o WPAN de baixa taxa de transmissão de dados apelidado de "ZigBee" ("ZigBee" Alliance).
O "ZigBee" tem se posicionado como uma resposta ao Bluetooth e o instituto de análise da indústria West Technology Research Solutions anunciou recentemente - após uma pesquisa por eles realizada - que o "ZigBee" terá uma adoção ampla mas vai demorar ainda um pouco para ele crescer.
Segundo o mesmo instituto o potencial global para "ZigBee" em mercados de baixa taxa de transmissão não tem diminuído e sua demanda está sendo construída. Num futuro não muito distante, não será difícil contar pelo menos 50 chips de "ZigBee" numa residência. Eles serão encontrados nos interruptores de lâmpadas, em detectores de fogo e fumaça, termostatos, eletrodomésticos na cozinha, e em controle remotos de vídeo e áudio. Os mesmos princípios se aplicarão para redes nos mercados industrial, de automação e médico.
Entre as empresas que atualmente estão trabalhando com o padrão "ZigBee" temos: Adcon Telemetry AG, Agere Systems, AMI Semicondutor, Atmel, Eaton Corporation, Ember Corporation, ENQ Semiconductor, Figure 8 Wireless, Helicomm, Integration Associates, Invensys, Microchip Technology, Millenial Net, Mitsubshi Electronic Industrial, Motorola e Philips Semiconductors.
Em meados deste mês, a aliança "ZigBee" ganhou parceiro de peso: a Samsung. Segundo Bryan K. S. Chang, principal engenheiro do i-Networking Lab da Samsung Electronics "nós escolhemos ser parte da aliança "ZigBee" porque acreditamos no padrão que eles estão criando e queremos ser um dos líderes do processo. Com essa excelente oportunidade, e nosso profundo conhecimento do entendimento de produtos e serviços integrados, a Samsung poderá trazer a experiência da sua marca para seus clientes".
Em relação a consolidação da definição do padrão UWB - o IEEE 802.15.4 - no IEEE, duas semanas atrás foi um marco extremamente importante para este segmento.
Empresas importantes na definição do padrão fizeram alguns acordos significativos para reduzir o número de propostas para a reunião a ser mantida brevemente, em São Francisco, do Grupo Tarefa do 802.15.3a. É possível - embora pouco provável - que esse Comitê tenha apenas uma proposta na mesa para aprovar.
No início do ano existiam 31 diferentes propostas posicionadas no Comitê e que foram reduzidas para apenas seis. Entre essas, duas delas ganharam muita visibilidade. A última vem de um grupo de peso denominado Multiband OFDM Alliance que é comandado pela Intel e a Texas Instruments (TI) (sic!). Outros participantes desse grupo são as empresas: Philips Semiconductors, Samsung Electronics, Panasonic, HP, Staccato Communications e a Time Domain. A outra proposta é comandada pela Motorola e a XtremeSpectrum.
Para mais informações sobre essa disputa no UWB veja as referências: UWB heavyweights get together da Unstrung, UWB Decision Narrows da Wireless Week e Consensus builds for ultra wideband da CNET News.com. Para mais informações sobre a competitividade (e características técnicas) do UWB veja Uweeba (uwb) - from bandwidth to bucks? (Part 01) do The Chilli (informativo de investidores em tecnologia).
A seqüência da abrangência de cobertura das tecnologias sem fio é a seguinte: WPAN (Wireless Personal Área Network), WLAN (Wireless Área Network), WWAN (Wireless Wide Área Netwotk) - empresas convencionais de telefonia móvel e WMAN (Wireless Metropolitan Área Network). No caso de WMAN - com bastante visibilidade atualmente por ser uma alternativa à tecnologia de telefonia móvel vigente - temos os padrões IEEE 802.16 e IEEE 802.20.
Para conhecer um pouco sobre WMAN veja as referências: 802.16: A Future Option for Wireless MANs do 802.11 Planet, Wireless to the max - WiMAX do site Arcchart e WiMAX set to overshadow Wi-Fi do The Enquirer inglês.
Esperemos, então, por este mundo sem fio (e o que ele nos "reservará")!


• Eduardo Prado é Consultor de Novos Negócios & Tecnologia. Engenheiro Eletrônico pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Trabalhou na DBA Engenharia de Sistemas, Proceda Systemhouse, Promon Engenharia, Promon Eletrônica e na COPPE/UFRJ. Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações - a Cleartech em Campinas - que hoje é uma empresa da DBA, EDS do Brasil e do CPqD.
O autor também mantém um blog pessoal em www.smartconvergence.blogger.com.br
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