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 HOME CONVERGÊNCIA DIGITAL18/08/2003

Wi-fi e conteúdo de mídia alavancam
a venda de banda larga no mundo.
O que as operadoras brasileiras estão esperando?

Eduardo Prado - Smart Convergence

Não sei. Vamos concluir juntos (ou deixar que as operadoras de telefonia concluam) vendo abaixo alguns casos de sucesso.

Nós temos duas grandes evidências - eu diria já tradiconais - neste segmento. O primeiro exemplo vem da Telecom Itália com o seu famoso serviço Alice.

De acordo com o analista de indústria Pyramid Research no seu relatório Beyond DSL: Why Fixed Operators Need to Go WiFi, a Telecom Itália dobrou a sua receita de usuários de DSL porque esta operadora "empacotou" a sua oferta de banda larga (BL) com o fornecimento de Wireless LAN (WLAN) para o mercado residencial em um período de seis meses: de março a setembro de 2002.

Bom número - o dobro em meio ano! Convém ressaltar que surpreendemente nessa época o serviço de WLAN Pública era proibido na Itália e só foi recentemente liberado (em 28 de maio do corrente, ver Gasparri firma il decreto sul wi-fi). A Telecom Itália aproveitou essa liberação e lançou no final do mesmo mês o seu serviço de WLAN Pública.

O segundo exemplo vem do país líder de BL no mundo - a Coréia do Sul. A operadora KTC (Korea Telecom Co) com aproximadamente - pasmem - cinco milhões de usuários de BL (a maioria ADSL) está sempre inovando e buscando continuamente aumentar a sua receita de serviços de BL denominado Megapass. Para conhecer um pouco da tradição e liderança da Coréia do Sul na utilização de BL veja Understanding Broadband Demand - A Review of Critical Issues (Office of Technology Policy - U.S. Department of Commerce).

A atual estrutura tarifária de flat fee para o serviço de BL da KTC limitará a sua receita quando a penetração de BL atingir sua saturação o que é esperado para o próximo ano. Na sua busca constante, a KTC introduziu o serviço de WLAN - denominado NESPOT - no final de 2001, auxiliada pela comunidade de negócios da Coréia do Sul. Percebendo que seu lançamento não teve o sucesso esperado, a KTC combinou os serviços de Megapass com o NESPOT e focou no mercado residencial e de pequenas e médias empresas (o mercado PME) com uma boa "cesta" de serviços e tarifas.

Com uma grande base de usuários de BL na KTC que são proprietários de laptops, o pacote "bundle" (ver matéria Telefonia fixa: Wi-Fi "bundle services" nesta coluna) poderia estimular a utilização de serviços de Wi-Fi.

Não deu outra.

Em apenas um mês (de junho para julho de 2002), o número de usuários de WLAN da KTC foi de dez mil para 20 mil assinantes do NESPOT. Parece que a estratégia do serviço de WLAN da KTC tem se transformado de um simples serviço de acesso de Wi-Fi para uma grande oferta de BL. Essa estratégia tem auxiliado os fabricantes de equipamentos na Coréia do Sul a produzirem unidades combinadas de ponto de acesso de WLAN com modem ADSL (veja os exemplos: D-Link DI-614+ AirPlus Enhanced 2.4GHz Wireless Four Port Router & Access Point 802.11b (DI-614+) Cable-DSL, WBR-G54 AirStation 54Mbps Broadband Router AP e Buffalo wireless router impresses) a um preço bem competitivo que estimule a migração de assinantes - e o conseqüente aumento de receita - de um simples serviço de BL (wired) para um serviço misto de BL (wired & wireless).

Para mais informações sobre a KTC e banda larga na Coréia do Sul veja as referências: Investigating Broadband Deployment in South Korea - Brunel University (PDF File) e Broadband Korea: Internet Case Study - ITU (PDF File).

Surgem então as perguntas: o que a TELEMAR está esperando com o seu Velox? O que a Telefônica está esperando com o seu Speedy? O que a Brasil Telecom está esperando com o seu Br Turbo? E será que a EMBRATEL não poderia lançar um serviço criativo e diferenciado de WLAN - com sua excelente infra-estrutura de cobertura nacional - para o mercado corporativo (por exemplo, de PME)? Será que as operadoras com serviços atuais de BL não poderiam "empacotar" uma nova oferta "casada" com um vendor que forneça WLAN Access Point combinado com ADSL Modem que tenha um preço bem competitivo?

A Telefônica na Espanha já "acordou" para este "casamento" de ADSL com WLAN e inaugurou um serviço simples (mas já é o primeiro passo) divulgado em 18 de junho do corrente. Veja as referências: Telefónica goes for Wi-Fi e ADSL Wi-Fi Zones Services and Prices options.

Será que a única "percepção de valor" dos serviços acima é de ser de alta velocidade? Elas (as operadoras) é que têm que responder. Vamos continuar mais um pouco.

Na competição com as empresas de cabo dos EUA - que estão entrando na "mina de ouro" do serviço de telefonia local - os dois maiores pesos-pesados - a Verizon Communications e a SBC Communications, respectivamente primeira e segunda dos EUA - da telefonia fixa já reagiram.

A Verizon, em 14 de maio do corrente, lançou um serviço de WLAN "empacotado" com DSL e um pequeno pacote de multimídia (veja as referências Verizon Communications (an wireline co) adds WLAN to DSL, Verizon Using Wi-Fi as Braodband Bait e o serviço Verizon Broadband Anytime ... At work, at home and, on the go ...).

A oferta desta operadora é habilitar de forma móvel - e grátis - dez milhões de usuários residenciais com mil hotspots espalhados em tefones públicos, inicialmente em Nova Iorque e depois espalhados pelos EUA. O objetivo principal da oferta é induzir os clientes para a adoção de BL e retê-los como usuários desta operadora. A Verizon está contando criar uma fidelização através de um serviço grátis de Wi-Fi e aumentar a sua penetração em BL além dos típicos 10% a 15% de outras operadoras americanas. Veja aqui os números das vendas de BL das fornecedoras americanas no segundo trimestre deste ano: Second quarter mixed for broadband firms.

Em 6 de agosto do corrente, a SBC Communications anunciou que vai fornecer o acesso a 20 mil hotspots nos EUA nos próximos três anos – bom número; o maior nos EUA é da T-Mobile que tem 2,3 mil hotspots - em hotéis, aeroportos, centros de convenções, restaurantes e outras localidades públicas. A iniciativa da SBC está baseada também em intensificar a competição com outras empresas start-ups de WLAN.

O que temos de diferente neste recentíssimo WLAN Roll-Out? Pelos menos três características: a primeira é a convergência de telefonia fixa com móvel através da operadora GPRS do grupo SBC - a Cingular Wireless. No mundo já temos o caso de convergência da Singapore Communications e o no Brasil a TELEMAR e a Oi seriam os grandes candidatos para esta composição, mas talvez estejam demorando em estruturar esta oferta em comparação a todo o lado empreendedor que a operadora móvel do grupo tem mostrado ao mercado na área de WLAN. Essa "lentidão" não faz jus ao lado realizador da Oi.

A segunda é a composição com WISPs já estabelecidos e com grande penetração. A SBC escolheu o WISP Wayport - bela escolha. O business de WLAN Pública não é para "under dogs". Aqui o negócio é de escala. Tem que ser grande. Pequeno morre.

O Wayport tem apenas isto: 565 hotels and 12 airports nationwide, and approximately 75 McDonald's locations in the San Francisco Bay Area, Está bom não está?

A terceira é a composição da SBC com a oferta de BL do Yahoo. "The name of the game for Wi-Fi is now bundling. That's a good game. Phone companies, cellular operators and other companies with existing telecommunications businesses are bundling Wi-Fi with existing service offerings", veja aqui com Alan Reiter.

Cada dia alguém inova mais em WLAN e tenha a certeza que a SBC fez isto. Veja aqui as referências do launch da SBC: SBC to Offer Wi-Fi Access at 6,000 Spots, SBC to build 6,000 Wi-Fi hot spots Locations will triple number offered currently by T-Mobile, SBC to build 6,000 Wi-Fi hot spots Locations will triple number offered currently by T-Mobile, SBC to turn up hot spots, SBC Lays Out WiFi Plan, Wayport Supports SBC's WiFi, SBC Raises Wi-Fi Bar e SBC, Wayport sign hot spot deal.

Mais algumas perguntas. Por que as operadoras, com serviços de BL, permanecem tão paradas? Será que não enxergam uma real competição das companhias espelho (a saber, Vésper e Intelig)? Acreditamos que sim, elas devem considerar estas Operadoras "under dogs"? Concordamos que atualmente a Vésper e a Intelig estão fragilizadas.

Será que também não enxergam uma real competição dos fornecedores de TV a cabo e de satélite? E as empresas de TV a Cabo? Por que não "atacá-las" para capturar seus assinantes de BL com pacotes diferenciados de WLAN e BL? Não sabemos, só as operadoras podem responder. As empresas de fornecimento de conteúdo de BL via satélite já estão vindo com WLAN. Veja aqui Hughes Network Systems Launches the Industry's First Satellite-based Wi-Fi Solution.

Quem quiser esperar, espere, mas o cerco vai aumentar. O mundo sabe que a mobilidade de WLAN com BL tem muitas conveniências - e oportunidades de muita receita. Se vosso problema é aumentar a receita da vossa empresa operadora, Why do not fly with Wi-Fi? (esta frase excelentemente sugestiva não é de minha autoria).

Mais uma sugestão. Será que uma parceria das operadoras com WISPs estabelecidos - como a Vex - não poderia ajudar? E uma parceria com fornecedores de PDAs com Wi-Fi (de baixo e médio custo) para promoções com financiamento também não poderia ajudar na alavancagem de assinantes de BL? Por exemplo, um "bem bolado" de BL mais WLAN utilizando PDAs tais como: Tungsten C da Palm (US$ 499), CLIE PEG-UX50 da Sony (US$ 590) ou HP 1915 da Hewlett Packard. O pacote de mídia Real One já está disponível para o Tungsten C.

Mais evidências positivas para as operadoras brasileiras com serviços de BL? Sim, continuemos então.

A Telefónica de Espanha já assinou um contrato com a Philips, em novembro do ano passado, com o objetivo de explorarem o mercado residencial de BL. Inicialmente a parceria será no mercado espanhol, mas depois eles pretendem expandí-la para a América Latina. Será que chegam ao Brasil? Esperemos.

A Philips está desenvolvendo toda uma linha de produtos Wi-Fi para o mercado residencial como pode ser visto no micro system MC-i250 Streamium (Wireless Internet duo System) e promete lançamentos "bombásticos" na área até o final deste ano, como também está desenvolvendo uma série de parcerias de conteúdos diferenciados de música agregando valor aos seus parceiros de BL.

Um outro caso bem concreto e recente é o da Qwest Communications International que anunciou em 7 de agosto, do corrente, uma parceria com a Sony para ofertar jogos e divertimento para seu serviço de DSL com o objetivo de atrair novos assinantes (veja Press Release). A Qwest estará oferecendo a escolha de dois pacotes. Um focado em jogos e o outro em downloads de pacotes de entretenimento. O serviço vem grátis com uma assinatura do MSN Broadband através de uma parceria com a Microsoft. Eles acreditam - e estão corretos - que conteúdos diferenciados de mídia e aplicações alavancarão a adoção de novos assinantes de BL como também facilitará a retenção dos mesmos. Veja a referência Qwest DSL to funnel free Sony games.

A Oi, como a primeira e a maior empreendedora no segmento de WLAN do Brasil, poderia também considerar alguns exemplos aqui citados e sair na frente das Operadoras de telefonia fixa. Por que não?

Gostaríamos que, as evidências mostradas acima, ajudassem as operadoras de BL do Brasil a incrementarem seus serviços, para o bem da nossa comunidade de consumidores (residenciais e corporativos).

Who is going to be the First Mover? Who is going to be the Followers?

P.S.: Essa coluna foi escrita antes da matéria publicada no Jornal Valor Econômico, de 12 de agosto último, sob o título: Operadoras Expandem sua Base de Banda Larga, quando as principais operadoras de telefonia fixa manifestaram estar interessadas no crescimento de suas bases de assinantes de banda larga. Veja partes interessantes desta reportagem:

“Telefônica, Telemar e Brasil Telecom têm planos agressivos de ampliação da base de assinantes, todas apoiadas na necessidade de aumentar a receita a partir dos atuais clientes, já que a planta de telefones fixos está praticamente estagnada ou até encolhendo.

Batizado de Turbo, o serviço da Brasil Telecom tem 210 mil assinantes. A meta é atingir 385 mil até dezembro. ‘Com o ADSL agregamos receita à linha’. (comentário da Brasil Telecom)

A meta são 200 mil assinantes até o final do ano. Hoje são 100 mil. Para dobrar a base, a Telemar está expandindo a cobertura do serviço, que chegará a mais de 80 cidades este mês.

Entre as operadoras de telefonia, a liderança cabe à Telefônica, com 400 mil assinantes e meta de 500 mil no ano.

A Embratel também iniciou os testes com a tecnologia ADSL no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que negocia uma parceria com a NET para uso da infra-estrutura de cabo para oferta de banda larga.

‘Banda larga é o que vai manter o crescimento do negócio de telefonia fixa’, explica o diretor-geral da Telefônica, Manoel Amorim, que trabalha com a expectativa de atingir 1 milhão de usuários de banda larga em todo o Estado de São Paulo em 2004. O maior entrave no crescimento da Telefônica tem sido a incapacidade técnica para atender à demanda, mas Amorim assegura que o atual programa de investimento eliminará os gargalos na oferta do Speedy”.

Nota: Essa coluna foi escrita (também) antes da aquisição da Vésper pela Embratel.



Eduardo Prado é Consultor de Novos Negócios & Tecnologia. Engenheiro Eletrônico pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Trabalhou na DBA Engenharia de Sistemas, Proceda Systemhouse, Promon Engenharia, Promon Eletrônica e na COPPE/UFRJ. Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações - a Cleartech em Campinas - que hoje é uma empresa da DBA, EDS do Brasil e do CPqD.
O autor também mantém um blog pessoal em www.smartconvergence.blogger.com.br
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