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 HOME CONVERGÊNCIA DIGITAL30/09/2003

Novos paradigmas como Wi-Fi
(em redes públicas ou corporativas)
necessitam de um "novo pensar"

Eduardo Prado - Smart Convergence

Quando Wi-Fi (Wireless Fidelity) será "onipresente"? Não sabemos e não queremos ser Nostradamus nem Alvin Toffler (um famoso futurologista), mas atitudes como:

[a] a da indústria automobilística abraçando a tecnologia de Wireless LAN (WLAN) nos carros do futuro;

[b] e a da UPS que resolveu testar o interesse do público do público em conectividade grátis de Wi-Fi em 66 das das suas lojas de carga públicas nos EUA;

Vão ajudar (e acelerar) o caminho dessa "onipresença". Particularmente, a visão da UPS é ímpar - e terá muitos imitadores - pois se esse trial der certo, a UPS pretende fornecer o acesso grátis de Wi-Fi em suas 3 mil lojas ao redor do mundo. Será, sem sombra de dúvida, um grande player no negócio de internet móvel visto que a maior instalação do Ocidente é a da operadora T-Mobile nos EUA que tem 2.778 hotspots (veja aqui mapa de localidades).

O Wireless Fidelity, é uma uma tecnologia que tem ganho rápida aceitação através da implantação de redes sem fio públicas e privadas ao redor do mundo via os já famosos hotspots. O sucesso dessa tecnologia pode ser atribuído a uma combinação da desregulamentação promovida pela FCC (a ANATEL americana) do espectro de frequências de 2.4 e de 5 GHz e do rápido consenso do IEEE sobre os padrões 802.11x.

Sem sombra de dúvida o Wi-Fi será a "killer application" da década, mas a habilidade de fazer um negócio rentável com redes públicas de WLAN não é direta e nem também os modelos de negócios que são frequentemente apresentados para estas redes de alta velocidade.

Os Maiores Players

Entre os players de WLAN Públicas os maiores são as operadoras de telefonia fixa e móvel como já temos falado com certa frequência nesta coluna. Veja as matérias Por que a Wi-Fi prejudicará a receita das operadoras móveis? e WLAN é uma excelente oportunidade para a telefonia fixa.

E nesse negócio quais são as forças dessas operadoras? Quais são as fraquezas delas neste negócio? Quais são as ameaças ao negócio delas? Quais são as oportunidades para elas? Veja abaixo um pouco das forças e das fraquezas de uma Matriz SWOT para essas operadoras neste business:

Forças

  • Oferta complementar aos serviços das operadoras;
  • Base instalada de milhões de usuários;
  • Vasta experiência no provisionamento de serviços;
  • Relações estabelecidas com outras operadoras na implementação de acordos de roaming e interconexão;
  • Experiência no Gerenciamento do Cliente e Sistema de Billing;
  • Experiência com canais de vendas com redução do custo de aquisição do cliente de WLAN Pública;
  • Mais recursos de CAPEXs que os WISPs (Provedor de Serviço de Internet sem Fio);
  • Operadora móvel: diferenciação no sistema de autenticação de usuário no caso de GPRS (SIM Card);
  • Operadora fixa: baixo custo de conexão de backhaul de hotspots (banda larga).
Fraquezas
  • Ausência de amplo relacionamento com os Facility Owners (FOs) para facilitar a implantação em larga escala de WLANs;
  • Ausência de larga experiência em Wireless Data Services e comercialização para corporações destes tipos de serviços;
  • Ausência de uma estrutura comercial compatível com as necessidades atuais de estabelecer relacionamentos com assinantes em WLAN;
  • Falta de agilidade em um mercado aonde a competição e os novos produtos são diferentes dos "corriqueiros";
  • Operadora móvel: maior custo de conexão de backhaul de hotspots (ausência de banda larga própria).
Categorias de Hotspots

Baseados nos padrões dos modelos de negócios que temos acompanhado pelo mundo os hotspots podem ser classificados em três categorias: o pago, o grátis e o misto. Vamos discutir essas categorias frente aos seus desafios de modelos de receita.

[a] Pago

Esse tipo de hotspot é aquele fornecido por um Facility Owner (FO) - o "dono do ponto" - em parceria com um WISP com o objetivo de gerar receita de assinantes pagos. Exemplos desses serviços são os cafés internet. Tipicamente, o usuário é autenticado por um WISP que oferece por sua vez segurança de acesso ao cliente pagante. O WISP pode fornecer ao assinante funcionalidades de roaming através de parcerias com outros WISPs (para mais detalhes sobre o roaming em WLAN veja a matéria Um Passeio pelo Roaming em Wi-Fi nesta coluna). Hoje o roaming é franqueado via brokers terceirizados que cobram uma parte da quantidade transacionada, dividindo a receita com o FO e o WISP principal (aquele que é o fornecedor primário do assinante). No futuro o roaming pode ser uma característica padrão do serviço como é no caso da telefonia móvel hoje em dia.

[b] Grátis

Um hotspot desse tipo é ofertado sem nenhum ônus para o cliente sendo "bancado" pelo Facility Owner (FO). No contexto de hotspots públicos, estes são normalmente ofertados por uma organização varejista com o objetivo de atrair clientes. Vários exemplos deles existem no mundo, alguns voltados a promoção do turismo em cidades. Tais hotspots não são seguros e não requerem autenticação formal e, portanto podem se se tornar alvos de invasão ou ataques típicos de internet. Quanto eles são ofertados dentro de um contexto corporativo - uma rede WLAN Corporativa - os investimentos associados a estes hotspots são justificados pelo aumento de produtividade do funcionário, redução de custos operacionais, aumento de receitas e provisionamento de serviços adicionais para os clientes. Nesse caso, o acesso aos hotspots requer autenticação do usuário e tipicamente é ofertado um acesso seguro.

Enquanto as redes de Wi-Fi são ofertadas na grande maioria para acesso de dados, dentro de pouco tempo elas preencherão uma grande variedade de necessidades corporativas. Uma delas será a utlização da rede WLAN para serviço de voz - que já tem até um acrônimo, o VoWLAN, que é Voice over WLAN - que chegará em breve, para "tristeza de alguns" (operadoras móveis) e "alegria de outros" (operadoras sem última milha, WISPs, operadoras de telefonia fixa operando WLAN e empresas de tv a cabo), com a homologação do padrão IEEE 802.11e que estabelecerá os níveis adequados de QoS (Quality of Service) para este tipo serviço. Para mais informações sobre VoIP (Voice over IP) e VoWLAN veja as matérias Voz sobre Wireless LAN (VoWLAN) e Convergência de Voz e Dados desta coluna. Veja também aqui SIP stakes os "peso pesados" (Microsoft, Alcatel, Mitel e Nortel Networks) interessados neste negócio.

Para entendermos melhor essa nova categoria de serviços corporativos como a tecnologia de WLAN, por exemplo, um hotel poderá estar apto a intregar o seguinte range de funcionalidade dentro de uma infra-estrutura de WLAN, e portanto proporcionando economias das seguintes formas:

1. Conseguir um acesso de internet através de uma WLAN em qualquer quarto do hotel;

2. Enviar faxes ou imprimir através de uma conexão sem fio a partir de qualquer quarto do hotel;

3. Fazer ligações telefônicas de um quarto para outro dentro do hotel utilizando a tecnologia VoWLAN numa base peer-to-peer;

4. Utilizar a infra-estrutura de WLAN do hotel para fazer chamadas internas e externas quando um determinado hóspede está em roaming através da infra-estrutura do hotel;

5. Prover a facilidade de se assistir filmes através de um DVD remoto conectado via a WLAN do hotel;

6. Assistir televisão utilizando a infra-estrutura de WLAN (que vai requerer bandas superiores que a que temos atualmente dsiponível);

7. Acessar jogos (games) disponíveis para acesso sem fio dentro de qualquer quarto do hotel;

8. Eventualmente habilitar todos os dispostivos do hotel com a tecnologia sem fio.

Não é preciso dizer que existem vários desafios técnicos e comeciais que precisam ser solucionados para proporcionar uma implementação de sucesso, mas os hotéis poderiam ter uma significante redução de custos tendo uma infra-estrutura integrada acoplada a um appeal tecnológico para os clientes mais sofisticados, e por que não dizer, aos viajantes de negócios que tem uma série de necessidades diferenciadas (e de redução de custos) de conectividade.

[c] Misto

Talvez a maioria dos hotspots esteja entre as categorias pago e grátis, nas quais as necessidades de negócios de um "dono do ponto" (Facility Owner) são ligadas àquelas de um WISP, e estes hotspots podem ser categorizados como Mistos. Um exemplo desse tipo de hotspot é aquele dentro de um café (ou restaurante), que é atendido por um WISP aonde as concessões baseadas em compra pelo café poderiam aplicar-se ao uso do hotspot pelo cliente, ou através de coupons on-line oferecidos pelo WISP que poderiam aplicar-se a descontos para compras de mercadorias no café. O processo de autenticação do usuário permitiria que os vendedores associassem o uso da internet móvel com as atividades de vendas do café. O McDonald's anunciou recentemente que irá oferecer o acesso a Wi-Fi por uma taxa de utilização ou através da troca pelo consumo de mercadorias nas suas lojas.

As três categorias de hotspots vistas acima oferecem tremendas oportunidades, mas ainda têm grande desafios associadas com elas.

Segurança

Um dos desafios que sempre está associado a Wi-Fi é o de segurança. Um hotspot grátis (como uma rede WLAN pública) tende a estar aberto para atrair clientes - o que é ineremente inseguro. Dispositivos móveis das corporações podem ser utlizados para acessar esses hotspots grátis, mas impõe que o pessoal de TI, de uma específica corporação, preocupe-se em manter os dados desses dispotivos protegidos do mundo externo. Esses dados "móveis" quando desprotegidos podem trazer (não necessariamente trazem) consequências danosas para as instituições.

Por outro lado, um hotspot pago oferece segurança e autenticação. Contudo, quando um dispositivo móvel de um assinante pagante tenta determinar se um hotspot é um hotspot válido para roaming, um acesso não autêntico pode colocar-se como acesso de roaming de um WISP buscado, e trazer riscos para o dispositivo móvel a menos que medidas de segurança sejam implementadas no dispositivo cliente.

Os níveis de segurança de SSID (Service Set identifier) e Tabela MAC podem ser "quebrados" hoje em dia por um hacker mediano. O nível de segurança de WEP (Wired Equivalent Protocol) pode ser "quebrado" por um hacker especializado. A segurança hoje em WLAN se estabelece através de VPN dedicada e Firewall pessoal nos notebooks móveis ou através do padrão 802.1x (WPA - Wi-Fi Protected Access). Em futuro próximo estaremos (mais) seguros com o padrão IEEE 802.11i (veja issues de segurança).

Hoje em dia existem mecanismos específicos de criptografia de redes militares. A Academia Militar West Point nos EUA investiu KUS$ 960 para ter uma rede de Wi-Fi segura no padrão IEEE 802.11a com tecnologia da Cranite Systems e padrão de encryption FIPS 140-2. Para maiores detalhes sobre esta encryption ver FIPS 140-2 Security no weblog Dailywireless.

Modelos de receita

Enquanto as operadoras de telefonia móvel no mundo estão "correndo de um lado para o outro" apostando no Wi-Fi para compensar a sua perda (e esperada) de receita no serviço de voz (alguém um dia acorda que a conta é cara!!!), nós acreditamos que ainda não está muito claro se os modelos de negócios dos tais Wireless Data Services são sustentáveis. Alguém no mundo sabe o que o "tal do cliente quer?". Talvez conveniência? Talvez conta única? Talvez uma killer application?

Novos paradigmas como Wi-Fi exigem um "novo modo de pensar". As operadoras de telefonia estão motivadas para tal? Ou querem vender e continuar vendendo "o velho" (é mais cômodo)? Como usuário, diria que não sei.

Lembrem-se também: novos paradigmas também exigem modelos comerciais diferenciados. Estamos preparados para exercitá-los?

Roaming e Billing

Atualmente, poucos WISPs têm acordos com outros WISPs para assegurar um roaming com grande abrangência. O modelo do intermediário (broker) de roaming deve ser implementado aos pares, o que pode ser lento em um negócio que está sendo criticado por ter altas taxas mensais de US$ 30 para um assinatura mensal de WISP. Existe um estudo nos EUA que fala da conveniência de US$ 20 por mês. E no Brasil quanto seria uma assinatura mensal de Wi-Fi?. Esperemos que não siga uma regra de aritmética básica multiplicando US$ 20 por 03.

A história tem mostrado que os Modelos de Revenue Share do E-Commerce proposto pelo B2B não decolou. Como também não decolou no WAP brasileiro. No SMS brasileiro ainda "engatinha".

Atualmente o mercado de roaming de Wi-Fi ainda está incipiente mas deve ser auxiliado no futuro por novos padrões, sistemas abertos ou pela colaboração entre os principais provedores de serviços.

Para conhecer um pouco sobre billing - um importante componente em redes WLAN públicas - veja a matéria Billing Rides Again for Wireless Data Services ... THE ROAD TO SINGLE BILLING no weblog Smart Convergence em 19 de setembro de 2003.

E as aplicações?

Roaming, billing e segurança são negócios e desafios de infra-estrutura relacionados que irão eventulamente transformar a conectividade de última milha tornando o Wi-Fi uma commodity.

Acreditamos que o Wi-Fi - como já dissemos - será um killer business desta década, mas devemos colocar uma questão no ar no mundo desta mística internet sem fio: Quais serão uma ou duas killer applications que comandarão o uso da internet sem fio?

Ainda difícial de responder (ou visualizar)!



Eduardo Prado é Consultor de Novos Negócios & Tecnologia. Engenheiro Eletrônico pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Trabalhou na DBA Engenharia de Sistemas, Proceda Systemhouse, Promon Engenharia, Promon Eletrônica e na COPPE/UFRJ. Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações - a Cleartech em Campinas - que hoje é uma empresa da DBA, EDS do Brasil e do CPqD.
O autor também mantém um blog pessoal em www.smartconvergence.blogger.com.br
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