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 HOME CONVERGÊNCIA DIGITAL16/02/2004

Simplesmente o máximo: WiMAX
Parte 2

Eduardo Prado - Smart Convergence

Hoje temos a continuação da primeira parte deste artigo (parte 1) apresentada em 2 de fevereiro de 2004 aonde tratamos – além da introdução – dos tópicos: O padrão IEEE 802.16, suas variações e outros padrões wireless e Os fabricantes de chips.

O WiMAX Forum e as adesões

O fórum de WiMAX que tem dedicado-se a certificar a interorperabilidade dos produtos de BWA baseados em padrões globais, anunciou recentemente que o número de membros “pulou” de 28 para 67 em apenas cinco meses. Isso com certeza reflete a confiança da indústria nos padrões de BWA do IEEE 802.16. Recentemente houveram também as adesões da AT&T Wireless, Covad e a PCCW de Hong Kong. Essas operadoras somam-se a Nextel que foi a primeira a declarar, em novembro de 2003, sua intenção de montar um piloto do 802.16 através das licenças de WLL que adquriu da MCI. Houveram também adesões de fornecedores de infra-estrutura – vendors de telecomunicações – como a Siemens e a ZTE Corporation da China. Recentemente tivemos a notícia que a BT do Grupo British Telecommunications (BT) vai também fazer um piloto com o 802.16 para cobertura de áreas rurais. Veja sobre a adesão da BT em Intel's Got WiMax Headroom da Unstrung. A Siemens fez – também recentemente – uma parceria com a Intel nesse segmento.

Entre os novos membros do fórum estão os fabricantes originais de BWA em padrões proprietários incluindo Axxcelera Broadband Wireless, BeamReach Networks, Intracom, KarlNet, NextNet Wireless, REMEC e Vyyo. Veja aqui uma lista completa dos membros do fórum. Um caso particularmente interessante aqui é o da BeamReach Networks. Por quê? Essa empresa que está (ou estava) fazendo pilotos de BWA com a Verizon Communications (veja Verizon Trials Fixed Wireless) nos EUA com a tecnologia Proprietary OFDM  (4G “Proprietário”) era (ainda é?) aliada dos grandes interessados no padrão IEEE 802.20 – o Mobile FI – que são – Navini (com tecnologia Proprietary S-CDMA), Flarion (com tecnologia Proprietary OFDM) e IP Wireless (com tecnologia propritária UMTS TD-CDMA). Grande mudança.

A gigante Cisco é uma das acionistas da Flarion. Uma outra novidade bem interessante é o fato de que a Navini deve estar pensando em mudar de lado provavelmente em função de ter obtido no segundo semestre do ano passado um bom investimento da Intel. Esse fato não está afirmado em nenhum lugar mas é uma suposição do colunista pois ninguém empresta dinheiro a um competidor e adversário.

Sobre o investimento da Intel na Navini veja aqui as referências: Intel Capital Portifolio e o Press Release Navini Networks* Secures $51 Million in Additional Financing. Conheça um pouco dessa disputa de grupos antagônicos do 802.16 e 802.20 nas seguintes referências: Enter the MAN Haters e IEEE 802.20 Established da Unstrung, INTEL (com Nokia) & MOTOROLA (com Cisco) no 4G: Outra grande disputa uma matéria desta coluna, 802.16e Vrs 802.20 do Weblog Dailywireless e 802.16e vs. 802.20 da Wi-Fi Planet.

Além das adesões acima a UK Broadband do Reino Unido, a Reliance Infocomm Ltd. (Índia), Iberbanda (Espanha), MVS Net (México) e Neotec (do Brasil. Pois é Brasil!) estão planejando seriamente projetos pilotos de WiMAX segundo a Intel que está assumindo fortemente seu papel de "evangelizador" do WiMAX em operadoras e governos em todo mundo como veremos depois aqui.

Os planos das operadoras de telecomunicações

O WiMAX tem um claro appeal para provedores de serviços não celulares (p. ex., operadoras de telefonia fixa) como o Wi-Fi não teve o retorno do investimnto das redes de WLANs Públicas é ainda bastante criticado (e comentado).

O dilema para as operadoras de telefonia fixa é se em relação ao WiMAX elas o consideram uma ameaça ou uma salvação para não "morrerem" nas mãos das empresas de telefonia móvel. Tal como celular, o WiMAX pode ofertar funções de comunicações móveis, fixas e residenciais – ao contrário do Wi-Fi que é fixo ou do Mobile-Fi (IEEE 802.20) que é somente móvel – e desta forma forma traz para as operadoras de telefonia fixa a oportunidade de empreender seus próprios negócios de telefonia móvel sem precisar adquirir a tecnologia celular atual (p. ex., CDMA, CDMA-1xRtt e GSM/GPRS) que tem limitações em relação ao WiMAX. Se o consumidor move-se inexoravelmente para as comunicações sem fio e de banda larga, nos diríamos que a tecnologia WiMAX terá grande sucesso com o seu baixo custo. A redução de preços e o fornecimento de serviços de valor adicionado (SVA) vão ajudar a preservar os seviços de telefonia fixa durante um bom tempo.

Dessa forma muitas operadoras de telecomunicações no mundo estão no mínimo fazendo projetos pilotos com a tecnologia de BWA. Uma questão básica persiste: as operadoras de telefonia fixa terão uma receita e um lucro adequado com as redes de BWA de tal forma a compensar a receita das suas redes convencionais? Uma outra questão também é colocada para as operadoras de telefonia fixa da Europa e dos EUA. Será que elas terão a confiança dos investidores por causa dos seus altos níveis atuais de endividamento?

Essas rotas óbvias vão proporcionar opções de serviços baseados em WiMAX como serviços premium e pacotes de bundle services. A tecnologia de WiMAX também trará players diferentes para o negócio. Com o custo muito baixo de entrada no negócio de serviços de BWA através da tecnologia de WiMAX quando comparado a quaisquer outras tecnologias fixa e móvel precedentes, empresas relativamente pequenas terão a chance de entrar no setor de telecomunicações e serviços de valor adicionado com a habilidade de ofertar preços extremamente agressivos pois eles não têm que manter altos custos e ineficiências dos sistemas legados atuais das incumbentes bem como as dívidas associadas aos mesmos.

Isso será crítico em novos mercados, como regiões rurais ou de economias em desenvolvimento. A Nokia já determinou aumentar a penetração dos seus handsets e das suas estações de rádio-base nas regiões em desenvolvimento ofertando equipamento de baixo custo GSM e também no futuro utilizando WiMAX. Quando a versão móvel do WiMAX – o IEEE 802.16e – estiver no mercado, o GSM e o WiMAX poderão ser integrados e trarão uma solução móvel de baixo custo para as áreas rurais aonde a Nokia ainda poderia capturar operadoras de telefonia. A Nokia tem também interesse em fabricar handsets para o mundo WiMAX. Entenderam agora porque a Nokia está apostando muito alto ao lado do "peso pesado" (e "rei do chip") – Intel – na tecbologia de WiMAX?.

Empacotamento (bundling) e cobertura tem sido as principais armas utilizadas com sucesso no mercado de Wi-Fi aonde as operadoras de telefonia fixa e móvel podem ter o controle amplo dos hotspots e do Wi-Fi residencial independentemente da presença dos WISPs. O negócio de Wi-Fi é de escala e de interconexão. Pequena "dança". A mesma situação poderá aplicar-se ao WiMAX mas existe uma diferença chave. As operadoras de telefonia fixa têm abraçado o Wi-Fi para adicionar valor a seus serviços existentes, frequentemente empacotando-o como um incentivo aos assinantes de banda larga (ADSL) ou outras ofertas (p. ex., multimídia).

Com WiMAX as outras ofertas podem gradualmente ir sendo substituídas a medida que as necessidades de modelos de negócios vão se tornando mais convincentes. As operadoras de telefonia fixa devem começar implantando redes de BWA em áreas remotas as suas regiões urbanas e depois tomar a decisão dura: começar a substituição das próprias redes. Caso isso não seja feito, alguém fará por eles. Nós presenciaremos tempos muito interessantes em futuro não muito longínquo.

Segundo fontes de mercado, uma das operadoras que deve utilizar o WiMAX é a telefonia móvel americana, a Nextel. Segundo Barry West CTO da operadora a Nextel está avaliando a possibilidade de utilizar BWA incluindo o WiMAX. A Nextel tem licenças do espectro de MMDS (Multipoint Multichannel Distribution Service), no range de 2,5 GHz a 2,7 GHz e em 2,1 GHZ que são regiões aonde o WiMAX poderia ser utilizado. Contudo West adicionou que ele está preocupado com a velocidade do desenvolvimentio e homologação do padrão pelo IEEE.

A Nextel irá adotar uma tecnologia proprietária se a homologação do padrão demorar muito. A companhia adquiriu as frequências acima em julho de.2003 da falida WorldCom por US$ 144 milhões. A Nextel e a Sprint possuem 2/3 do espectro de MMDS na faixa de 2,5 - 2,6 GHz nos EUA. Existem também 100 MHz na faixa de 5,725 – 5,825 GHz também disponível para WiMAX nos EUA, mas as licenças de MMDS podem ser o pivô da fortuna com o WiMAX. A Nextel planeja gastar US$ 2 bilhões (sic!) em uma rede BWA para wireless data services como também serviço de voz local e serviços de streaming de vídeos. Mon Dieu! O interesse em WiMAX não impede que a Nextel também "flerte" com um dos maiores inimigos do WiMAX: a Flarion Technologies (leia Cisco). Veja em notícia recente de 6 de fevereiro 2004: Nextel Flashes With Flarion da Unstrung. O IEEE que se cuide pois ninguém quer chegar atrasado na "festa" de BWA.

A Sprint que também tem licenças de MMDS, e está explorando serviços de banda larga tem a mesma preocupação que a Nextel em relação a prazos de homologação dos padrões de WiMAX.

Já a Bell South americana está estudando a possibilidade de utilizar serviços wireless de banda larga particularmente para ofertar serviços de Internet de alta velocidade para potenciais clientes em áreas menos densas que foram abondonadas pelas operadoras, em função dos altos custos de instalação de banda larga com fios. Esse será sempre – sem sombra de dúvida – o primeiro alvo do mercado de BWA. No "ringue" ele estará competindo fortemente com o famoso ADSL. Isso no enfoque das operadoras de telefonia fixa. No caso da telefonia móvel, acreditamos que elas utilizarão o WiMAX no primeiro momento para competir com o ADSL das operadoras de telefonia fixa. A "festa" vai ficar animada!.

No Brasil já temos como candidata ao WiMAX a Neotec. A Neotec é uma entidade que congrega as principais operadoras do sistema wireless MMDS do Brasil. MMDS é uma tecnologia de transmissão de dados e canais de vídeo, prestando serviços de TV por assinatura e acesso à internet em banda larga através de micro-ondas. O MMDS divide o mercado com as operadoras de TV a cabo e as de satélite (DTH), como DirecTV e Sky.

A Neotec tem testado sistemas de BWA com bons resultados. A empresa já testou o sistema proprietário da NextNet Wireless com taxas de transmissão de até 2 Mbps e alcançando de 2 a 5 Km em áreas urbanas dependendo da densidade. Esse sistema uriliza o espectro de frequência entre 2,5 GHz e 2,7 GHz que já é das operadoras móveis e estão sendo utilizados atualmente para serviços de televisão. A Neotec está buscando um sistema parecido com o da NextNet de BWA para implementar um serviço de banda larga sem a necessidade de implantação de fios e com o objetivo de fornecer serviços de banda larga na faixa de US$ 20 por mês. Segundo Luiz Frauendorf, diretor da Neotec, o serviço de banda larga ADSL está disponível em algumas partes do país por US$ 30 por mês. Segundo Luiz o Brasil terá 3,2 milhões de usuários de banda larga em 2006, e ter 10% deste mercado valeria a pena. Veja aqui: Um panorama da TV por assinatura no Brasil. Trata-se da entrevista de José Luiz Navarro Frauendorf, diretor da Neotec. A NextNet – que se juntou recentemente ao fórum de WiMAX – tem uma grande implementação de tecnologia NLOS (Non Line of Sight) na Cidade do México.

A necessidade de um trabalho de apoio regulatório

O fórum de WiMAX focou no ano de 2003 a realização de um trabalho de apoio a chips e equipamentos e fez muito pouco em relação as operadoras de telefonia. Para ajudar nesse esforço ele formou o grupo de trabalho de provedores de serviços a fim de encorajar a contribuição de operadoras de telefonia e outros players, com o objetivo de influenciar as agências reguladoras de espectro de frequências em todo o mundo. Além dessas tarefas, esse grupo desenvolverá Business Case para provedores de serviços implantarem redes de 802.16 daqui para frente. Focará também em aplicações de multimídia do mundo real e criará interfaces de gerenciamento de redes padronizadas.

Para melhorar a confiança das operadoras de telefonia, é essencial que o WiMAX trabalhe com os principais padrões de rádio e com as agências reguladoras governamentais (nos EUA, o FCC e no Brasil, a ANATEL). Essas ações são importantes para prevenir colisões com outras tecnologias wireless já existentes e assegurar que o WiMAX possa ser implantado consistentemente em diferentes países. Essa necessidade está se tornando mandatória e urgente a medida que os produtos estão próximos de serem lançados no mercado.

Esse é um dos trabalhos do fórum de WiMAX que tem também de fazer lobby de país em país para assegurar a alocação de espectro de freqüência para as aplicações de WiMAX. Uma tarefa chave é assegurar a interoperabilidade quando o WiMAX compartilha espectro com outros protocolos tais como o de WLAN em 5 GHz (802.11a) e em 3 GHz no espectro de MMDS (2,5 - 2,7 GHZ).

O WiMAX e a WLAN serão complementares se eles puderem trabalhar conjuntamente. Existe um potencial para interferência na tecnologia WLAN em 5 GHz que é a banda do padrão IEEE 802.11a, especialmente para produtos de WLAN trabalhando em outdoor, pois existe a tendência dele operar mais alto a frequência que os produtos indoor, e portanto interferir com WiMAX. Tem que existir orientações para que sejam evitadas contenções desse tipo. Por exemplo, o 802.16 transmite um controle de dados a cada 2,5 ms bloqueando outros usuários do seu canal. O padrão de extensão de QoS (Quality of Service) de WLAN – o padrão IEEE 802.11e (veja Status of Project IEEE 802.11e) – que será homologado ainda este ano – tem funcionalidade semelhante, fazendo com que ele se comporte como o WiMAX. Isso também tem que ser trabalhado na Aliança de Wi-Fi e no IEEE

O mais ambicioso de tudo é a necessidade de trabalhar com as agências reguladoras de telecomunicações para tentar conseguir a melhor oferta para as operadoras de WiMAX, fazendo lobby nos países aonde as frequências são reservadas para outras necessidades.

Um forte obstáculo é que o WiMAX tem aspectos tanto de tecnologia fixa quanto móvel, e eles tendem a ser manipulados separadamente pelas agências reguladoras de telecomunicações, com as tecnologias móveis limitadas a bandas específicas. Por exemplo, alguns países consideram 3,5 GHz como uma tecnologia fixa o que poderia ser uma restrição ao padrão móvel do WiMAX – o IEEE 802.16e. Os produtos desse padrão deve estar chegando no mercado em aproximadamente 18 meses. Outros países alocam 3,5 GHZ para utilização por satélite, embora possa ser compartilhada com banda larga, como ocorre no Reino Unido. Existe também limitações na utilização da banda de 5,8 GHZ, particularmente na Europa, o que poderia atrapalhar a disseminação do WiMAX se o trabalho nas agências reguladoras não tiver sucesso.

Enfim, existe muito trabalho a ser feito para ter consistência da alocação do espectro para minimizar os riscos de interferência. Esse trabalho é tão importante quanto aquele de desenvolvimento técnico que os vendors têm que fazer para convencerem as operadoras de telecomunicações (ou outros players) a utilizarem o WiMAX e começarem os seus projetos pilotos.

O papel da Intel

No mês passado a Intel dominou a agenda de dois seminários ocorridos em San Jose na Califórnia. O Summit do WiMAX Forum e o Simpósuio Anual da WCA.  Segundo Sean Maloney, gerente geral de Telecomunicações da Intel e o ‘grande embaixador’ do WiMAX, "a banda larga sem fio (BWA) vai trazer cinco bilhões de usuários para a internet" – diz – "a eficiência e o custo do padrão IEEE 802.16 será responsável por uma grande revolução wireless".

Ainda segundo Maloney, "a Intel vê a disseminação do 802.16 em três fases. A primeira começará com a instalação de antenas fixas externas (outdoor) trazendo rapidamente a conectividade wireless para mercados emergentes e acelerando a instalação de serviços de banda larga sem a necessidade de colocar fios ou cabos". Na segunda etapa "a tecnologia progedirá rapidamente para instalações de antenas internas (indoor), espalhando o seu interesse para as operadoras de telecomunicações que buscarão simplificar (e reduzir custos) a instalação nos sites dos usuários". Finalmente, ainda segundo Maloney, na terceira fase "o hardware certificado de WiMAX estará disponível para soluções móveis para aqueles usuários que querem fazer roaming dentro ou entre áreas de serviço".

A Intel já prometeu versões WiMAX da tecnologia Centrino para o próximo ano. A Nokia – sua "parceira de fé" no WiMAX – espera estar resolvendo problemas de baterias e outros itens técnicos para lançar o seu aparelho celular de WiMAX em no máximo dois anos.

O empenho da Intel em promover o WiMAX é demonstrado pela seriedade com que o "rei do chip" está tratando esta nova tecnologia de BWA. A Intel tem se empenhado em fazer lobby com governos e agências reguladoras de telecomunicações, dando credibilidade à sua escolha tecnológica e pondo o seu peso técnico e financeiro em projetos aonde ela quer provar este novo conceito de telecomunicações como o que está sendo feito no município de Houston, na Georgia. Esse município será o primeiro dos EUA a ter um "cobertor" de wireless utilizando a tecnologia WiMAX. Dependendo do sucesso deste piloto, a Intel pretende ampliar essa cobertura na Georgia.

A Intel está trabalhando fortemente com as agências reguladoras de telecomunicações em diversos países, mostrando que terão uma vantagem competitiva – se realocarem o espectro para BWA – sobre aqueles países que não fizerem o mesmo. Existe um forte interesse na obtenção de espectro de freqüência que permita a transmisão não apenas de dados, mas de bandas que suportem a transmissão tripla de voz, vídeo/televisão e dados sobre links wireless no padrão IEEE 802.16a, ao invés de ADSL e cabos.

A Intel também está ativamente pondo pressão em governos de países em desenvolvimento para adotarem WiMAX nas suas comunicações. Ela teve algum sucesso na China, mas não conseguiu repetir na Coréia do Sul, que tem o seu próprio padrão de BWA.

A Intel será a força principal para assegurar que o WiMAX não perderá a sua oportunidade de mercado.

Áreas estratégicas para o WiMAX

A Intel e a Nokia consideram a Rússia, China, Índia e América Latina como os alvos iniciais da estratégia delas para o WiMAX.

Elas têm particular interesse na Rússia, pois o governo desregulamentou a infra-estrutura de telecmunicações agora em 1 de janeiro de 2004. A Rússia é considerada um paraíso dourado para o WiMAX em virtude da baixa penetração da telefonia (fixa e móvel) que é de 20%, e que não passa de 50% em Moscou.

Na China, a Intel, através de parceria com a Alvarion e com a China Unicom (segunda operadora chinesa), está implantando serviços de banda larga wireless em sete cidades utilizando a tecnologia WiMAX. A Intel está fazendo um forte lobby na China para tornar o IEEE 802.16a o padrão nacional de BWA daquele país. Já a Nokia pretende vender estações rádio-base para os chineses. As autoridades chinesas despertaram para o WiMAX bem antes de outros países e já há dois anos mantêm uma série de conferências relacionadas com esta tecnologia. Já a empresa canadense Wi-LAN está trabalhando com a China Communications que venceu 25 leilões de 3,5 GHZ tornando-se a maior operadora de wireless fixo da China. A Wi-LAN está também fazendo parceria com a China Sat que tem três licenças de 3.5 GHZ.

Na América Latina a Intel está trabalhando com seu segundo parceiro no WiMAX - a Aperto Networks – (o primeiro é a Alvarion) e trabalhando com o provedor de serviços MVS Comunicaciones para levar BWA para três cidades mexicanas – Cidade do México, Guadalajara e Monterrey. A MVS tem licenças de MMDS na faixa 2,5 – 2,686 GHZ e utilizará a tecnologia Packetwave da Aperto Networks para fornecer acesso wireless para o mercado corporativo. Recentemente, em 9 de fevereiro de 2004, a Aperto Networks surpreendeu o mercado mexicano anunciando uma oferta de serviço de internet de alta velocidade nas localidades de Puebla e Cidade do México para a Ultravisión, um grande operador MMDS no país. Veja Aperto Unwires Mexico do Weblog Dailywireless. A América Latina é um mercado potencial de WiMAX e vários outros projetos pilotos de operadoras já estão acontecendo.

Enquanto todos esses movimentos estão ocorrendo em diferentes países, os EUA já têm sua primeira operação comercial com WiMAX inaugurada recentemente em 3 de fevereiro de 2004 na cidade de Portland, em Oregon, com tecnologia da VeriLAN. Veja First Commercial 802.16a Switched On do Weblog Dailywireless e Press Release da VeriLAN.

Finalmente ...

O ano do WiMAX não será 2004. De fato o resplendor do WiMAX ocorrerá em 2005 ou 2006. Mas 2004 há de ser um importante ano, pois é quando o conceito terá que ser sonoramente provado em função dos primeiros projetos pilotos, para depois virarem roll-out comercial com a chegada de produtos variados, e competitivos em preço. Espera-se que no final de 2004 o jargão WiMAX já faça parte do nosso vocabulário de telecomunicações assim como o Wi-Fi já o é atualmente.

É – senhoras e senhores – várias oportunidades acontecerão em nossas vidas muito em breve!

Referências:

[1] IEEE Standard 802.16: A Technical Overview of the WirelessMAN Air Interface for Broadband Wireless Access (Carl Eklund, Roger B. Marks, Kenneth L. Stanwood, and Stanley Wang, 02/06/04) [um Arquivo PDF];

[2] Intel speeds up WiMAX; 2004 will be the make or break year, Silicon Investor, From Wireless Watch, December 18, 2003;

[3] WiMax Devil in Details, Dailywireless, January 27, 2004;

[4] Wi-Max Outed, Dailywireless, January 21, 2004;

[5] Wireless Convention in San Jose, Dailywireless, January 19, 2004;

[6] BeamReach: In from the Cold?, Dailywireless, January 14, 2004;

[7] WiMax Chips This Summer, Dailywireless, December 17, 2003;

[8] Trains Testing 802.16e, Dailywireless, December 09, 2003;

[9] Dr. Xu's HPi Love Fest, Dailywireless, December 08, 2003;

[10] VeriLAN Unwires Portland, Dailywireless, November 13, 2003;

[11] 802.20 Studied, Dailywireless, November 12, 2003;

[12] Em Quem você Acredita? WiMAX (IEEE 802.16) ou Mobile FI (IEEE 802.20)? - Parte 1,  Weblog Novas Tecnologias - Novos Negócios do site ComUnidade WirelessBRASIL, 20 de dezembro de 2003;

[13] WiMAX is Coming, Weblog Novas Tecnologias - Novos Negócios do site ComUnidade WirelessBRASIL, 7 de fevereiro de 2004;

[14] Broadband wireless faces hurdles, EE Times, January 26, 2004;

[15] Tutorial de WiMAX, Teleco, Fevereiro de 2004;

[16] 802.16a preps wireless for prime time, EE Times, May 16, 2003;

[17] First Commercial 802.16a Switched On, Dailywireless, February 03, 2004;



Eduardo Prado é consultor de Novos Negócios & Tecnologia. Engenheiro eletrônico formado pela UFRJ (1977) com mestrado em Automação e Controle de Processo na COPPE/UFRJ (1979). Participou da criação da primeira Clearing House privada brasileira privada de telecomunicações, a Cleartech em Campinas. É especializado em auxiliar as corporações em áreas estratégicas de Business Assessment, Estratégia em Wireless, Wireless em Geral, Wi-Fi (Wireless Fidelity), Wireless LAN, Broadband Wireless Access (4G "Proprietário" e WiMAX), WPAN (Wireless Personal Networks), Etiquetas Inteligentes RFIDs, VoIP e Estratégia de Negócios, Voice over WLAN (VoWLAN), Aplicações Corporativas Móveis e Segurança em Wi-Fi, como também ministra seminários e palestras nestes segmentos de negócios.
O autor mantém os seguintes weblogs pessoais: Smart Convergence e Novas Tecnologias - Novos Negócios, este na ComUnidade WirelessBRASIL.
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