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 HOME INFO CENTER25/02/2003

Risco calculado

Quem não se lembra do IPO da Starmedia? Grande ícone das empresas pontocom numa época em que o mercado financeiro estava ávido por investimentos virtuais, o portal juntava entretenimento e informação. A dobradinha logo foi reproduzida em muitos outros empreendimentos. Hoje, ninguém arriscaria o meio milhão de dólares que Fernando Spuellas colocou no negócio. Tampouco os investidores estão dispostos a apostar nesta receita de sucesso tão espetacular quanto efêmera. Os empreendedores estão mais cautelosos, os investidores mais céticos. Arriscar em portais de Informação e entretenimento, nem pensar. Fabrício Martins, CTO da Nexxy Capital, dá as dicas para quem está em busca de investidores.

Qual o foco do mercado de Venture Capital atualmente?
Hoje o mercado está a procura de projetos consistentes, principalmente os focados na redução de custos e/ou no aumento de vendas. O Brasil é um grande produtor de softwares e é isto que os investidores procuram.

Qual o melhor momento para a entrada de investidores?
Depois do estouro da bolha "Internet", os investidores passaram a buscar empreendimentos numa fase mais avançada, nunca idéias que ainda estão no papel. Buscam, principalmente, empresas que já tenham produtos palpáveis, mesmo que numa fase inicial, mas que já possuam um atrativo e clientes.

Qual o percentual de participação que os fundos compram, em média?
Os investidores de risco procuram, na grande maioria das vezes, o controle do negócio, não que isso seja uma regra.

Qual o melhor caminho para negociação?
As negociações são melhor conduzidas e as fontes são melhor exploradas através de empresas especialistas na busca do capital de risco, por exemplo a Lexway (www.lexway.com.br), uma consultoria jurídica de Campinas. Estas empresas cobram em média de 3% a 8% do capital investido, assumindo o risco do negócio.

E quanto ao perfil do empreendedor?
Não existe uma regra para o sócio fundador. Caso o empreendedor não seja um grande executivo, pode ser contratado um profissional renomado para ocupar esta posição de liderança.

Como calcular o valor da empresa?
Uma empresa é avaliada através do "evalution", ou seja, os cruzamentos das receitas x despesas , o que dá o lucro projetado.

Conteúdo e entretenimento estão fora do foco dos fundos hoje?
Com quase toda a certeza, sim. Estes mercados poderão receber capital através de empresas dos segmentos de mídia e entretenimento, mas depois que o negócio estiver muito avançado.

Qual a expectativa de valorização dos negócios?
Em média é esperado um crescimento anual de 100%.

Em quanto tempo e de que forma ocorre o desinvestimento?
Esta é nossa principal pergunta: "Como eu vendo esse negócio?" Não há uma regra, mas o interessante para o mercado brasileiro é que empresas estrangeiras comprem, ou que se faça um swap de ações, através do qual iremos buscar o crescimento global. Outra opção é procurar quem tem interesse no negócio aqui no Brasil. O prazo médio de maturação de um negócio é de cerca de três anos.

Qual seu conselho para investidores em busca de capital de risco?
Meu conselho é que os empreendedores busquem uma maturação dos seus planos de negócios com empresas que já conheçam o caminho das pedras, ou seja, consultorias especializadas em traduzir os termos técnicos para o mercado financeiro. Com isso, o prazo do investimento é reduzido pela metade e a chance do sucesso é bem maior.




Carla Baiense é diretora de Conteúdo do AliceRamos.com
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