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 HOME OPINIÃO 30/4/2004

A revolução criada pelo Wi-Fi

Vanda Scartezini

Em uma das colunas anteriores propus uma rápida viagem no tempo para avaliar as mudanças que a tecnologia oferece na nossa vida.

Propus uma revisão de algo como vinte anos, onde pudéssemos avaliar como o avanço da tecnologia mudou nossas vidas para sempre.

Diante disto, é com muita surpresa que escrevo esta coluna.

Explico.

Depois de tantos anos convivendo com o desenvolvimento da tecnologia, com novas propostas daí decorrentes, imaginei que dificilmente algo me surpreenderia neste campo. Ledo e ivo engano [com a licença do Carlos Heitor Cony]. Fiquei quase sem fôlego ao acompanhar o avassalador avanço da tecnologia Wi-Fi.

Até poucos meses atrás era uma promessa como tantas outras. Especialmente por aqui onde as novidades demoram um pouco mais. Nesse ponto, lembro de um fato acontecido há cerca de vinte anos.

Voltando de Nova Iorque, ao embarcar em Kennedy, ouvi um comentário do piloto : “Hoje, pela manhã, eu estava andando na Quinta Avenida e vi um sujeito se comunicando por rádio no meio da rua. O que será aquilo?”.

Nem ele nem eu sabíamos que o cidadão estava usando um, então inédito, celular. Algo parecido com um tijolo que permitia um contato cheio de chiados de, e para, alguns privilegiados [e ricos] moradores dos países mais desenvolvidos do planeta.

Não vou abusar da paciência dos eventuais leitores revendo a evolução dos celulares. Isto é óbvio. Quero focar na tecnologia Wi-Fi ou Wireless Fidelity.

Há muito pouco tempo era impensável poder ter acesso à net fora de sua base. Quando isso era possível, dependíamos da capacidade – e dos custos – de provedores como hotéis e centros de convenção sofisticados que proviam um acesso – em geral discado – complicado e caríssimo.

Cabos, filtros de linha para evitar danos no modem, programas de acesso remoto eram ferramentas básicas para o viajante tecnológico do começo do século [desculpem a ironia...].

Provedores mais audaciosos estabeleciam parcerias globais para que seus assinantes pudessem ter acesso pelo mundo afora. Os menos audaciosos viram os seus usuários migrarem alegremente para os mais audazes.

Pois bem, estamos avançando no século XXI, ou melhor, para ser coerente, século 21. Não sei se você já experimentou a sensação de chegar a um café, pedir um lanche, abrir o notebook e, antes que seja servido, conectar-se e navegar livremente pela rede.

Eu já fiz isto e aconselho a todos esta experiência libertadora. Sem cabos, sem filtros, sem ruídos. Rápido e eficiente. E o que é mais surpreendente, na esquina de casa...

Com certeza, uma das conseqüências da revolução no uso das facilidades de telecomunicações, a oferta de acesso Wi-Fi é a resposta das operadoras aos novos tempos. “Use meus serviços sem custos. Acesse meu site e deixe o ônus para o patrocinador” parece ser o leitmotiv destes tempos.

Aproveite, caro colega usuário. É a sua vez de ser o beneficiado. Hotéis, shopping centers, livrarias, cafés, centros de convenção, enfim quase todos os locais que atraem um grande volume de pessoas descobriram que podem oferecer um diferencial importante: acesso livre e rápido.

Daí até montar esquemas inteligentes de marketing com anunciantes ávidos por consumidores, tem sido apenas um passo. E nós, usuários, só temos a ganhar. Claro que é necessário algum critério para evitar provedores “espertos” que tentam vender serviços wireless e assim faturar duplamente. Do patrocinador e do usuário, no caso, nós.

Tenho visto pelo mundo afora exemplos de provedores que disponibilizam o acesso sem custos para o usuário. O serviço é pago pelo patrocinador, seja ele o dono do local, que espera que o seu consumo pague o custo do acesso, ou o proprietário da rede que lucra com o marketing e a possibilidade de aumentar sua base de dados de clientes potenciais.

Nós, usuários, somos a ponta interessante nessa transação e temos de aprender como tirar proveito dela. Ter o serviço em troca do nosso potencial de consumo. Em resumo, creio que estamos diante de um ponto de inflexão importante.

Do mesmo modo que o advento do rádio comercial foi uma revolução – um serviço inovador, revolucionário e fundamental – que, além disto, desde o início foi gratuito e disponível a todos, acredito que o acesso Wi-Fi livre é uma conquista que deve ser preservada.

Através dela, muitos terão acesso a um universo antes inacessível e impensável. Mantê-la acessível é uma obrigação dos que tem capacidade de formar opiniões. Conto com a colaboração de todos os que têm me dado a honra de sua leitura.

Até o próximo mês.


Vanda Scartezini é assessora especial para a coordenação de TI e Comunicação na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo; vice-presidente do GAC-ICANN - Comitê Governamental junto à gestão mundial de nomes e números da internet; formada em Engenheira Eletrônica, com especializações em gestão, e 33 anos de experiência profissional no Brasil e no exterior; atuou por mais de 25 anos em cargos de gerência e diretoria em empresas públicas e privadas; desde 1985 é sócia da empresa de Consultoria PÓLO Consultores Associados e PÓLO Informática Ltda e desde 1997 é professora de propriedade intelectual nos curso de MBA Telecomunicações & e-Business na Fundação Getúlio Vargas.
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A revolução criada pelo Wi-Fi
A oferta de acesso wireless é uma das conseqüências da revolução no uso das facilidades de telecomuni-cações, é a resposta das operadoras aos novos tempos. Usar serviços sem custos e, acessar um site deixando o ônus para alguém patrocinar, parece ser o motivo condutor desta era. Por Vanda Scartezini

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