
Linux: O verdadeiro custo da mudança
[parte 1]
• Paulo Mouat
Os modelos, TCO e ROI
Depois de vários anos a experimentar o Linux na empresa, clientes, analistas e vendedores começam a estar de acordo em relação a onde o Linux faz financeiramente sentido e onde não faz.
Apesar do Linux ser habitualmente pensado como uma alternativa gratuita a outros sistemas operativos já implantados na indústria, como o Windows ou os Unixes proprietários, será que sai de fato mais barato depois de calculados os custos de aquisição, migração, operação e suporte? Usando o jargão da indústria, será que o TCO (custo total de propriedade) do Linux é mais baixo do que o do Unix e do Windows?
A resposta mais simples é a de que quanto mais abrangente for a adoção do Linux na infraestrutura de uma empresa, mais vantagens financeiras poderão ser tiradas do investimento inicial nesse OS. Esses investimentos podem ser consideráveis, especialmente quando têm de incluir treinamento, ferramentas e migração. Com o amadurecimento progressivo da plataforma, essa vantagem aumenta com o aperfeiçoamento das ferramentas de gestão, a eficiência do suporte fornecido pelos vendedores e o talento disponível no mercado de trabalho.
Mas os custos e benefícios da transição não são iguais para toda a gente. Uma migração Unix-Linux faz normalmente bastante sentido do ponto de vista financeiro já que o custo em treinamento é mínimo e os custos de aquisição de hardware baixam consideravelmente. Mas já uma migração Windows-Linux não é tão claramente vantajosa, porque o treinamento e conversão neste caso são mais dispendiosos, ao mesmo tempo que a poupança no hardware não é tão significativa.
Obter uma estimativa do TCO do Linux não é tarefa simples. Por este motivo, vários executivos de TI dizem ter evitado o exercício, porque o modelo seria demasiado complexo, com demasiadas incógnitas e suposições. "É muito complicado fazer a divisão de custos no Linux, é um meio muito fluido", diz Ray Duncan, o diretor de tecnologia do centro médico Cedars-Sinai em Los Angeles. "É muito difícil conseguir fazer uma comparação lado a lado".
Laef Olson, o CTO da Cars.com e um economista por formação, decidiu fazer um modelo TCO aplicado à usa empresa. "Sentei-me à frente de uma planilha vazia e comecei a fazer suposições: Crescimento do tráfego anual; quanto pagamos pelos servidores web; quantos administradores de sistemas preciso por cada máquina; onde as ferramentas podem reduzir estes custos ao longo do tempo?"
Olson calculou que a migração para o Linux representaria para a Cars.com uma poupança nos sete dígitos ao longo de um período de quatro anos, assumindo um aumento anual de tráfego algures entre os 20 e os 25%. Mas a lição a tirar é que este modelo continha grandes incógnitas, como a disponibilidade de suporte em vendedores-chave. "Muito do modelo tem a ver com a nossa própria percepção de para onde é que a indústria está a ir", explica.
Uma questão também importante na avaliação dos custos do Linux é se devemos focar-nos no TCO ou no ROI (retorno de investimento). A maioria dos estudos disponíveis concentrou-se no TCO - os custos globais de operação em áreas específicas como serviço web, partilha de arquivos ou impressoras e gestão de segurança. Mas o panorama está a mudar, com cada vez mais empresas de consultoria a mudar para a análise de ROI.
O problema do TCO é que este ignora o potencial de redução de custos, a flexibilidade permitida pela solução e o retorno e lucros do investimento. É óbvio que enquanto o TCO pode dar uma estimativa do investimento total necessário para a transição, este só pode ser avaliado e visto na correta perspectiva analisando o ROI. Por exemplo, se o TCO triplica, mas o ROI duplica, então estamos face a uma boa solução, porque a longo prazo os custos tornar-se-ão mais reduzidos.
Em particular, o ROI do Linux está agora a entrar na mira de Wall Street, com os clientes do Reuters Market Data System (RMDS) esperando um retorno de investimento tão alto como 183% sobre um período de cinco anos e tão alto como 94% sobre um período de três anos em resultado da migração do sistema Reuters de dados de mercado TIB/Triarch baseado em Unix para um baseado em Linux, mesmo atendendo a um aumento de custos e um ciclo de atualização de três anos no hardware. Esse mantra é hoje repetido por empresas como o Deutsche Bank, Merrill Lynch e Lehman Brothers.
Em termos de Linux e independentemente do modelo adotado, o benefício financeiro da mudança depende de quatro categorias principais de custos: aquisição, migração, gestão/operação e suporte, que abordaremos no próximo artigo.


• Paulo Mouat cursou Física Teórica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e é especialista em desenvolvimento e orientação para o objeto da NeXT Developer School. Tem vasta experiência nas áreas de desenvolvimento, arquitetura e gestão de projetos. Seu desempenho profissional foi sempre em Lisboa e Londres. Atualmente, é Senior Software Engineer na área de projetos e tecnologias Web da unidade estratégica de Investment Banking e Banking & Brokerage da Thomson Financial, em New York.
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